Ilha Terceira
Açores













2006/08/22

Onda de
Sonetos








Rosa Silva
("Azoriana")

Capa genérica
Ler este livro




















Nota prévia:

A poesia nasce, cresce e escreve-se em tecnologias de encantos.
As Ilhas marcam presença neste mundo novo.
Aqui estou eu e o que diz Bernardo Trancoso, poeta brasileiro, autor do sítio Sonetos.com.br, o seu site de poesia, datado de 22-02-2002 (data especial), onde encontrei inspiração e deixo aqui um registo de felicidade.
O meu livro de sonetos tem o número 31, desde 15 de Julho de 2005.
Guardo o 1º destaque do dia 15 de Agosto de 2005.



Arquipélago dos Açores
Ilha Terceira - Angra do Heroísmo
(c) Ano de 2005. Rosa Silva (Azoriana)

Introdução


























INTRODUÇÃO

Meu nome é Rosa Maria Correia da Silva, nasci em Abril de 1964 na freguesia da Serreta, ilha Terceira - Açores. Foi em Abril de 2004 que tive oportunidade de publicar on-line as minhas inspirações. A 15 de Julho de 2005 publiquei a dedicatória abaixo, que penso que transmite a minha felicidade e o que penso sobre os Sonetos:

Um sonho torna-se vivo
os sonetos são a magia da escrita que me dá alegria
e antes da meia-noite ouvi o galo a cantar
trazia notícia que me veio, então, encantar
e quero aqui deixar registado este dia
A 15 de Julho de 2005, Bernardo Trancoso,
na rubrica "Sonetos Seus" foi tão amoroso
registou meus sonhos nas páginas de história
e um livro colocou ao lado de ilustres sonetistas
fico tão feliz com esta dedicatória:

Eu, uma mulher terceirense, com emoção
envio um grande abraço do coração.
Nem sei, neste momento, que palestra lhe faça
no meu canto fiquei até sem graça
e tal como a rosa na madrugada,
sorri com o seu aroma ao despontar da ternura
estou tanto, mas tanto entusiasmada
mando um sorriso de contentamento
brilha o sol pela noite dentro...

Obrigada!





























Índice Temático Azoriana
(http://tematico.no.sapo.pt): neste sítio indico os meus sonhos que gostaria de publicar mas neste momento não tenho possibilidades financeiras – Pétalas da Serretense; Um olhar Terceirense; Encontro com a terra e ainda, a Onda de Sonetos .

Há a minha página pessoal – Um Olhar... (http://silvarosamaria.no.sapo.pt): divulgo a minha terra natal e também contém um índice por assunto dos artigos publicados no meu blog.

Dei ao Blog o título de Azoriana / Açoriana (http://silvarosamaria.blogs.sapo.pt), porque sou açoriana e diariamente ou quase deixo fluir os escritos de acordo com as minhas vivências e/ou temas regionais. Há quem diga que estou sempre atenta a aniversários, porque desde criança que essa data era uma ocasião especial que deve ser comemorada.

A Bernardo Trancoso
Um poeta amistoso
Um abraço especial
Da ilha de Portugal.

Uns versos lhe dedico
Porque contente fico
Tomei gosto à poesia
Que conforta o meu dia.

Que Deus lhe dê saúde,
paz, satisfação amiúde.
A "Sonetos" faço homenagem
a razão desta mensagem.

Rosa Maria

 

Índice


 

SONETOS.COM.BR

 

Introdução














ÍNDICE
In Pétalas da Serretense:

80 - SONETO 6164: Terno bailado
78 - SONETO 5774: Versos à: Cidade dourada
77 - SONETO 5363: A Luz de Maria!
76 - SONETO 5107: A cor que seduz...
75 - SONETO 4882: Ao poema «Açores» de Vitor Sintra
74 - SONETO 4881: Dedicatória: «Crónicas... no feminino»
73 - SONETO 4801: As rochas
72 - SONETO 4702: «Em algum lugar do passado»(...)
71 - SONETO 4662: Essência do soneto
70 - SONETO 4645: Moldura de beleza
68 - SONETO 4541: Densa solidão
66 - SONETO 4449: Rimas de vento!
58 - SONETO 3904: A janela p´ro mundo!
56 - SONETO 3502: Natalícia: Esperança
55 - SONETO 3492: Ao «Semeador de Poesias» (...)
54 - SONETO 3472: A propósito do Soneto 3403 (...)
53 - SONETO 3398: Cartões de Natal (acróstico)

 

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In O Blogue da Azoriana:
108 - SONETO 8997: Paisagem serretense
107 - SONETO 8996: Miragem
106 - SONETO 8995: As boninas
105 - SONETO 8994: Trono da cidade
104 - SONETO 8993: Palco de fotografias Angra Heroísmo
103 - SONETO 8992: Criação
102 - SONETO 8757: Sem título no ser
101 - SONETO 8751: Concha minha...
100 - SONETO 8750: Ecos do passeio/Angra do Heroísmo
99 - SONETO 8749: Alegra-me o Anjo!
98 - SONETO 8743: Ao poeta Bernardo Trancoso
97 - SONETO 8742: Ao blogue "Paz"
96 - SONETO 8686: Mãe por rimas beijada (14/03/2008)
95 - SONETO 8685: Aos "Rosários de Amor"
94 - SONETO 8684: Com Deus me vi...
93 - SONETO 8683: Rosas do nosso coração
92 - SONETO 8682: Acreditar
91 - SONETO 8681: Dom natural
90 - SONETO 8680: Mar de Palavras
89 - SONETO 8679: A voz dos versos
88 - SONETO 8675: Para o meu amor: Com amor
84 - SONETO 7810: À minha musa serretense!
83 - SONETO 7370: À Mulher das Rimas - "Turlu"
81 - SONETO 6662: Nas Rotas do Mundo Sanjoaninas 07
67 - SONETO 4540: Sanjoaninas 2006
64 - SONETO 4358: MMVI-V-XII (Aniversário da Filha)
61 - SONETO 4096: Praia da Vitória - 1 de Abril 2006
60 - SONETO 4095: Matilde (...)
57 - SONETO 3895: Divino Espírito Santo (...)
 

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In Serreta na intimidade:
87 - SONETO 8464: Angra do Heroísmo
86 - SONETO 8463: O triunfo Outonal das cores
85 - SONETO 8365: Ser serretense
82 - SONETO 6955: Musa em Flor - Dia da Mãe
79 - SONETO 6062: Flor de Juventude
69 - SONETO 4620: Amor e Dor
63 - SONETO 4194: Deus seja Louvado!
25 - SONETO 2105: Convite especial
19 - SONETO 1936: Versos de Mãe
10 - SONETO 1827: Serreta
7 - SONETO 1824: No teu adro
 

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In Um olhar Terceirense:
65 - SONETO 4411: Vila da Povoação - São Miguel - Açores
62 - SONETO 4097: Papa João Paulo II - 2 Abril 2006
59 - SONETO 3915: Dedicatória à Chica (...)
 

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In Onda de Sonetos:
52 - SONETO 3322: Natal dos pequeninos
51 - SONETO 3188: XV - Síntese - Ó Terceira!
50 - SONETO 3187: XIV - Ó que saudade!
49 - SONETO 3186: XIII - Preferências
48 - SONETO 3185: XII - Monte Brasil
47 - SONETO 3184: XI - Continhas de luz - N.S.Milagres
46 - SONETO 3183: X - O Sonho (2)
45 - SONETO 3182: IX - Junho em festa
44 - SONETO 3181: VIII - O Sonho (1)
43 - SONETO 3180: VII - Olé! Toiro
42 - SONETO 3179: VI - Angra de encanto e Heroísmo!
41 - SONETO 3178: V - Convite (o mar é que nos tempera)
40 - SONETO 3177: IV - Linda Ilha Terceira!
39 - SONETO 3176: III - Corpo pitoresco
38 - SONETO 3175: II - Bordada de lilás
37 - SONETO 3174: I - Bravo berço
36 - SONETO 3138: Quando há Natal...
35 - SONETO 3095: Autodidacta com sorriso
34 - SONETO 2902: Só...
33 - SONETO 2635: Desenho do Soneto
32 - SONETO 2470: Vozes em sonho
31 - SONETO 2442: Reflexão...
30 - SONETO 2157: Prisioneira de emoções!
29 - SONETO 2154: O Tacho que inspira...
28 - SONETO 2153: Horas íntimas
27 - SONETO 2125: Para um filho que parte...
26 - SONETO 2108: Desejo Vem cá...
24 - SONETO 2104: Serei alguém?!
23 - SONETO 2070: Incentivo
22 - SONETO 2015: Boa solidão
21 - SONETO 2002: Traços
20 - SONETO 1952: Um livro é um sonho!
18 - SONETO 1932: Amizade
17 - SONETO 1931: Soneto do Ocaso
16 - SONETO 1905: Na crista da noite
15 - SONETO 1879: Para ti, Bombeiro!
14 - SONETO 1878: Que vida?!
13 - SONETO 1830: A Tourada dos Estudantes
12 - SONETO 1829: Sanjoaninas 2005 (...)
11 - SONETO 1828: Nas tuas mãos... a vida
9 - SONETO 1826: 10 de Junho - Dia de Portugal (...)
8 - SONETO 1825: Dos Açores... História de Fadas
6 - SONETO 1823: Cântico ao Divino
5 - SONETO 1822: Porquê soneto? (...)
4 - SONETO 1820: Sorriso do Amor
3 - SONETO 1819: Crepúsculo
2 - SONETO 1818: Fizeste-me...
1 - SONETO 1809: Tocando o sonho
 

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108

Introdução ou Índice

















Paisagem serretense

Creio na cor do mar, num átrio vivo;
Creio neste torrão em tom festivo,
Que nos prende o olhar ao seu encanto
E à pureza deste verde manto.

Amo a Serreta rubra, no atractivo
Rochedo a céu aberto apelativo,
Beijado pela onda, terno canto
Do mar que vocaliza o verso santo.

São cantatas à lava dum vulcão
Adormecido p'la vegetação
E pedra fria, para nos dar calma...

É assim que eu te vejo ó linda terra.
- No lençol manso da pequena serra
A Ponta do Queimado abre-me a alma!

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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107

Introdução ou Índice

















Miragem

Na onda onde me deito e descanso,
À sombra de um véu denso e manso
Relaxo... Como é lindo o Sol sombrio
À beira deste verde pardo esguio!

Embrenho-me completa em doce cio.
No mar salgado meu corpo macio
Rende-se ao leme e, no longo avanço
Da baía, num sonho bom me lanço...

Com uma ilha inteira, posta aos pés,
Adornada de mil sonhos, marés
Que beijam o meu corpo adormecido.

Ao longe tudo indica que sou vulto,
Ao perto sou padrão de maior culto
Que jamais me fará Monte esquecido!

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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SONETOS.COM.BR

106

Introdução ou Índice

















As boninas

'Inda me prendo a olhar
As amarelas boninas
Como que a emoldurar
As Festas Sanjoaninas

A Praça do meu luar
Na mente eu centralizo
Como que a emoldurar
A frescura dum sorriso

É assim que eu te vejo
Ó minha Angra encantada
Quando à noite és beijada

Logo me assalta o desejo
De te ver apaixonada
P'lo rosto da madrugada.

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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105

Introdução ou Índice

















Trono da cidade

Frente à toada do mar
Num balanço transparente
Vejo patos cirandar
Numa fila docemente.

O ensaio vai começar.
Faz-se em mim fogo ardente;
Há um som que faz vibrar
Uno coração que sente.

E nas portas da cidade,
Abertas em simultâneo,
Num solo extemporâneo...

Há degraus, humanidade,
Gestos d'água, magia:
Há amor, junto à baía!

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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104

Introdução ou Índice

















Palco de fotografias/Angra do Heroísmo

Pedaços de uma Angra encantada
Alegram os cenários da visão.
O palco de uma festa inacabada
Nas montras que aplaudem o São João.

Rendemo-nos à festa animada.
Um punhado de imagens, que nos são
Familiares, atraem em desfilada
Os versos que cantamos de paixão.

Ancorados nesta ilha por amor,
Cantamos o mar e o campo em flor.
- Há pétalas de ferro envelhecido!

De repente, do ferro se faz vida
Na magia da imagem colorida
Saem pétalas de amor convertido.

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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103

Introdução ou Índice

















Criação

De coisas pequenas é que nascem grandes,
De muitas palavras se enchem as folhas;
Espero que um dia sonetos nos mandes
Porque eles são fruto de belas escolhas.

A prima quadra é como o rosto da sandes
Que bem se apresenta à espera que colhas
A luz e fulgor e dali não desandes
Até que tu sintas prazer nas recolhas.

Depois devagar entra o primo terceto;
E já conseguiste quadras em dueto.
(Metáfora assiste à nova refeição).

Na última parte banquete na mesa,
Um rico repasto à moda portuguesa...
E na chave de ouro reluz a emoção.

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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102

Introdução ou Índice

















Sem título no ser

Sou ventre da vil fúria dum vulcão
Sou malga da muralha de ser forte
Sou folha que esvoaça sem ter norte,
De fria cor enfeito o coração.

Cálice derramado pelo chão...
Sou lírio de mãos dadas com a morte
Sou rosa que se queda em pouca sorte
Sou manta de retalhos da ilusão.

Sou hortênsia de pranto e nostalgia
Peça de fogo que arde noite e dia
E choro, choro até encher o mar.

De dentro do meu peito ondas e bruma
Naufragam numa tela uma a uma
Num traço de mil cores a soluçar.

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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101

Introdução ou Índice

















Concha minha...

A ilha corre-me por entre os dedos.
Sinto a sombra pintar meus arvoredos
E fecho-me na concha rente ao chão
Para calar a voz do meu vulcão.

E não há nada melhor que sem medos
Enfrentar luas, sóis e meus segredos;
Cantar à solta, versos de porão,
Da arca do meu ser, numa evasão.

Na concha é onde me fecho nesta hora
E não sai nada do que nela mora.
Mas eis que acordo das mais duras provas

E dos sonhos profundos - boas novas:
É que nenhum ser por mais que perfeito
Tem só uma ilha dentro do peito!

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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100

Introdução ou Índice

















Ecos do passeio por Angra do Heroísmo

Regressam à minha alma domingueira
Os ecos do passeio à beira-mar:
Belezas do céu solto a navegar,
Só, entre calhaus, pousa a cantadeira.

Faísca o meu olhar pela fronteira.
No alto, vejo plantas a sonhar,
Nos verdes que me fazem embalar
Toadas da minha vida inteira.

Na rubra simetria vi contente
A espiguilha - enfeite da visão,
Coroada com alva fidalguia.

Mas o que me deixou mais sorridente,
Foi o fundo do mar, na ocasião
Que o meu olhar mergulha em fantasia.

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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99

Introdução ou Índice

















Alegra-me o Anjo!

Um Anjo incumbiu, sim, a Dona Clarisse
O voo dos versos que me trazem paz.
E na minha mente que de erros se faz,
Eu vejo-lhe a graça da sua meiguice.

E nesta visão de gentil meninice
Eu choro de pena que isso me traz;
Agora já sinto que não sou capaz
De ser o que esse Anjo decerto lhe disse.

Eu queria só não ter tanto receio
De não saber hora que na vez primeira,
Já traz bem marcada nossa vida inteira.

E nesta tristeza de não ser quem era
De ver sair de mim tanta primavera,
Alegra-me o Anjo nos versos que leio!

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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98

Introdução ou Índice

















Ao poeta Bernardo Trancoso

Saudades vêm na ausência de alguém;
E de Trancoso também a gente as tinha.
Agora que voltou a paz se adivinha
Nos cânticos sublimes, plenos de bem.

Voam de mim, repentinos, os que têm
O mote da saudade na pena minha
E na lembrança da mãe que foi sozinha,
Mas volta em pétalas-rimas de além.

E se seguisse a veia inspiradora,
Fazia de um terceto, quase à toa,
A homenagem digna, grata e honrosa:

Ao poeta que mais versos incendeia,
Reunindo seus irmãos na nobre teia,
Dou rios de flores e a bela rosa!

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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SONETOS.COM.BR

97

Introdução ou Índice

















Ao Blogue "PAZ"

Dos "Cânticos da Beira" chego ao Sol "Paz".
Deparo com a Cruz no alto marcada,
Na Vila de Góis, a mais idolatrada
Por Clarisse, na doçura que é capaz.

Por cá sonho com o Ceira... O dom que traz
Aos Goienses, na alva e sã madrugada.
E na surpresa que me foi anunciada
Fico a conhecer mais do que aqui se faz.

Agradeço ao autor que acolhe os versos
Que dedico à nobre e querida poetisa
Que glosa e rima com Deus por companhia.

Os meus são singelos mas não são dispersos;
Voaram de mim como uma leve brisa.
Louvado seja p'lo gesto e simpatia!

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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SONETOS.COM.BR

96

Introdução ou Índice

















Mãe por rimas beijada (14/03/2008)

Se fosse viva hoje fazia anos,
Aquela que o meu ser viu primeiro.
Para lá do mundo dos desenganos
Foi-se o ícone de amor verdadeiro.

Esbaforida, ergui seus velhos planos.
Abracei folhas, retro sinaleiro
Esvoaçando à luz dos humanos
De olhar perplexo ao luar matreiro.

Um lustro conto na sua partida;
A Morte infinita, uma eterna ida...
No rasto a lembrança aqui floreada.

Enquanto florirem seus dois rebentos
E por mim vibrar o Eco dos Ventos...
Será mãe viva por rimas beijada!

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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95

Introdução ou Índice

















Aos "Rosários de Amor"

Boa amiga Clarisse,
Converti-me aos seus Amores.
São lindos os versos-flores!
Chorei... Queria eu que visse...

Não sei que “frio” me toma,
Ao ler tamanha beleza...
Não é frio, concerteza,
É o amor que me assoma.

Beijadas por andorinhas,
Se fazem as suas linhas,
Com glória, honra em flor.

Solta-se o “Grito de Paz”,
E ninguém mais o desfaz
Nos ”Rosários de Amor”.

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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SONETOS.COM.BR

94

Introdução ou Índice


















Com Deus me vi...
(Dedico a D. Clarisse Barata Sanches)

Não sei porque choro, mas sei que choro.
É Saudade! E dela eu me decoro.
Penso no Além que, ao certo, não vi;
Sinto que chega nas flores de ti.

Há lágrimas que são doces. Adoro...
Chorá-las sozinha. Com gente coro
No farol da minha dor. O que senti,
Não foi dor mas sim fervor p'lo que li.

[Pausa]. Minhas leituras são d'espaços.
Quero ler mais flores, feitas de abraços,
Nas tuas linhas com graça de Deus.

Olhei-as tanto! Brilharam-me ideias
Dos livros fraternos que bem semeias...
Com Deus me vi rezando versos teus!

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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SONETOS.COM.BR

93

Introdução ou Índice

















Rosas do meu coração

São rosas! São as rosas que me deste
E que agora desfolham lentamente,
Desde o dia que nove ofereceste
Plantando sorrisos... Solenemente.

As rosas são uma dádiva celeste,
E quem as recebe sente-se gente...
Gente que maior alegria veste
Nos dias que o amor brilha somente.

Se brilham de amor, calam os espinhos,
Soltam pétalas rubras de carinhos
Para atiçar o fogo da paixão...

As rosas são as rainhas das flores,
Criadas nos canteiros dos Açores,
P a perfumar o nosso coração!

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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SONETOS.COM.BR

92

Introdução ou Índice

















Acreditar

Que Deus na sua imensa Paixão,
Lavrou, na Cruz, um hino de glória
Para o Seu amado povo cristão
Que passa por tanta jaculatória.

Não se pense que tudo foi em vão,
Nem que foi apenas e só uma História;
Deus deu-nos a melhor libertação
Que nunca mais sairá da memória.

E se Deus se deixou mortificar,
E se Deus se deixou pregar na Cruz
Em penas e só para nos salvar...

Se veio por todos, por ti, por mim...
Então, creio que do lado de Jesus,
Toda a dor terá um sorriso no fim!

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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SONETOS.COM.BR

91

Introdução ou Índice

Dom natural

Claro que sei que ao deixar-te uma linha
Tu dela constróis um divino céu;
E que mesmo sem ver já se adivinha
O que floresce no coração teu.

Eu sei que há o dom numa entrelinha,
(Porque nela também revejo o meu);
Melodia em coro da andorinha,
Que, encantada, voa no apogeu.

As rosas rubras que gosto por mim,
Vão todas em ecos de parabéns,
Para ti que encontrei neste acaso...

E nascem p a ti louvores sem fim;
Acredito no bom valor que tens:
Dom natural que Deus te dá sem prazo.

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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SONETOS.COM.BR

90

Introdução ou Índice

Mar de Palavras

Voltei. Na ânsia de encontrar o que
De ti houver. Aos poucos desvendando
Os sinais de outros mundos. Tudo porque
Não há mar-terra... Há versos voando.

Quem és tu? Quem sou eu? Neste palanque
De degraus onde o sol está raiando,
Para que a luz incendeie e marque
O relevo dos dons que estão queimando.

São "Palavras"-Sonhos, horas maduras,
Auroras e luas, noites inseguras...
E lembranças dos que não voltam mais.

Só eu volto rendida, a um começo,
Aos versos de quem nem sequer conheço,
Feitos mar de palavras imortais!

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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89

Introdução ou Índice

A voz dos versos

Os versos com voz e dedos,
Num acorde bem disposto
Que da mente sai com gosto,
Lembram campos de arvoredos.

Versos que se querem ledos
Para curar meu desgosto
De não saber o teu gosto
Guardado como os segredos.

Quem me conhecia então
Não sabia de antemão
A fraqueza do talento...

E do muito que chorei
Foi nos versos que encontrei
A voz que me dá alento!

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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SONETOS.COM.BR

88

Introdução ou Índice

Para o meu amor: Com amor

Eu sou menos do que sou
Talvez mais do que pareço
Devo tudo a quem me criou
E à fé dum endereço.

Foi no berço que alguém plantou
A vida, que tenho apreço,
Outro olhar por mim passou
Virou tudo pelo avesso.

No cálice da palavra
Maior dor 'inda me lavra
A cicatriz da memória...

Não deixei de ser quem era
E outra vida me espera.
Com amor se faz história!

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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87

Introdução ou Índice

Angra do Heroísmo

Angra é pérola nascida do mar,
É ventre verde beijado p'lo céu,
Rosário de estrelas a coar
O bravo da ilha, o nosso ilhéu.

Do casario desvio o olhar
P'rò Monte Brasil de cratera ao léu
E lá do alto eu posso avistar
Toda a beleza do azulado véu.

Ilha de Nosso Senhor Jesus Cristo,
Descoberta por ilustres navegantes
Que da memória não são distantes.

De louvar-te - Angra - nunca desisto!
Em dois mil e oito de forma tão grata
Chamas o mundo num «ABRAÇO DE PRATA»!

Rosa Silva ("Azoriana")
in
Serreta na intimidade

 

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86

Introdução ou Índice

O triunfo Outonal das cores

É no Outono que triunfam as cores
Num bailado orquestrado p'la natureza
É assim por todo o lado e nos meus Açores
Marejados por nove conchas de beleza.

No ciclo de despedida caem as flores
E folhas, manto de força e delicadeza.
Com gosto, o gesto, o gorjeio de amores
Elevam o sonho com fé, honra e firmeza.

É no Outono que os tons, em arco, cantam
Escondem o pranto da nova paisagem
Que cai em soluços na boca do Inverno.

Tinge-se de branco a estação do caderno
Que recebe em gotas as linhas da aragem
Nua das cores que na Primavera voltam!

Rosa Silva ("Azoriana")
in Serreta na intimidade

 

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SONETOS.COM.BR

85

Introdução ou Índice

Ser serretense

Gostava de ser poeta
Como aqueles que o são,
Tecer uma quadra discreta
Fazer jus ao meu torrão.

Que a luz venha em seta
E me crave o coração
Para de forma directa
Ter o mote sempre à mão.

Canto o amor nesta hora
E recorro sem demora
À Senhora mais feliz:

Maria cheia de Graça
O meu coração te abraça
Na alegria da raiz.

Rosa Silva ("Azoriana")
in Serreta na intimidade

 

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SONETOS.COM.BR

84

Introdução ou Índice

À minha musa serretense

Não sei se de propósito, se por magia,
Chegou a mim "Lúgubre Dia" declamado
De Euclides Cavaco. De novo me surgia,
Um belo poema mas triste de anojado.

Confirmo o luto em mim por finado dia
Que partiste, mãe, nesse adeus isolado;
Fica na minha memória a dor tão fria
E com ela tudo foi então sepultado.

Trago rosas, quatros das rosas desfolhadas,
Trago laços infinitos de maior saudade.
Trago fé que estas novas linhas sejam fadas

E me tragam de volta o seu brando sorriso
E que me segredem que a Mãe de Verdade
Recebeu sorrindo a minha no Paraíso!

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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83

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À Mulher das Rimas - "Turlu"

A pérola da Terceira,
De poemas foi autora,
Mulher improvisadora
Com Charrua à sua beira.

Cantando à sua maneira,
De desafios doutora;
Fez-se assim produtora
De bens p'ra ilha inteira.

Que esta flor graciosa,
De rima tão primorosa,
Esteja perto do Senhor.

E que no brilho do céu,
Peça por tanto ilhéu,
Que verseja amor e dor!

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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82

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Musa em Flor - Dia da Mãe

Sou terceirense e neste torrão me quedei,
Sinto florescer em mim um novo encanto;
Cada dia que passa vejo que encontrei,
Força e alegria para pousar meu canto.

O canto das palavras que não te dei,
Dos lírios e rosas de que gosto tanto.
Na onda de pétalas, então, decifrei,
O amor que outrora nem viste quanto.

Mãe! Meus versos desfolhei neste beiral:
Sonho e ternura, juntos, num roseiral,
Tomam a forma que o coração tem.

E reparto saudades que em Maio vêm,
Daquela cujo Dia se adorna mais:
Cantar-te - Musa em Flor - nunca é demais!

Rosa Silva ("Azoriana")
in Serreta na intimidade
                                         (e Pétalas da Serretense)

 

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81

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Nas Rotas do Mundo
Sanjoaninas 2007

Anda Connosco Feliz Festejar!
Um gesto amigo, sonha a velejar...
Angra Cidade sem Fim e sem Fronteiras
Nas casas, nas ruas e doces maneiras.

Na arrojada cor, se lança ao mar,
Abrem-se as velas, foguetes no ar;
Angra Cidade sem Fim e sem Fronteiras
Um toque de luxo reluz nas Bandeiras.

Cortejos, desfiles e tauromaquia,
Desporto, cantares e gastronomia
Animam as gentes de cá e de lá.

História, Cultura e tradição...
Nesta moldura feliz o coração
De Angra que por São João reinará!

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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80

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Terno bailado

Eu nem sequer sei quem sou
De onde vim p’ra onde vou
Só sei que sinto um prazer
De meus versos escrever.

E não pensem mal de mim
Pela escrita ser assim,
Pintada de sentimento
Terno bailado de vento.

E eu não sei quase nada,
Vou à solta pela estrada…
Meu sonho é uma constante.

Deixo pétalas do nome
Espinhos no sobrenome;
De poemas sou amante!

Rosa Silva ("Azoriana")
in Pétalas da Serretense

 

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79

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Flor de Juventude

É assim o teu retrato,
Do sorriso já passado
Com beleza, é um facto,
Que revejo emoldurado.

Não que ele seja distante
Nem tão pouco olvidado
E nesse tom cativante
Sempre, por mim, recordado.

A mente é como uma flor
Enquanto cresce viçosa
- Prefiro sempre uma rosa -

E nesse olhar encantador
Transparece uma virtude:
Eras flor de juventude!

Rosa Silva ("Azoriana")
in Serreta na intimidade
                                         (e Um olhar Terceirense)

 

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78

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Versos à: Cidade dourada

De ouro te pincelam... luz a Cidade!
Os ares, ruas, prédios e mar
Nenhuma ponta cai na ociosidade
Que em ti paira mas não te vai queimar.

É um prazer ver-te sorrir bordada
De luz e brilho que risca a avenida
Da vasta cidade - Ponta Delgada,
Com esse ar dourado e tão destemida.

"Sol-Mar" com vida, força imponente,
Onde se concentra o nascer luzente,
Das manhãs que têm sabor desse sal...

E eu aqui fico alegre a sonhar
Na vontade de cedo acompanhar
O tom que te faz cidade ideal.

Rosa Silva ("Azoriana")
in Pétalas da Serretense

 

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77

Introdução ou Índice















A Luz de Maria!

Bendita sejas, Maria!
Regente dos nossos passos
És a Luz que nos alumia
Com o Teu Filho nos braços.

Mãe dos Homens e da Terra
Mãe de Glória e Justiça
Abençoas mar e serra
No louvor da Santa Missa.

Luz d´Aurora, Graciosa;
Querida Mãe Milagrosa,
Vestida de amor profundo!

Ouro divino no Altar
Teus devotos a cantar:
És a melhor Mãe do Mundo!

Rosa Silva ("Azoriana")
in Pétalas da Serretense

 

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76

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A cor que seduz...

Rosas animam meu dia
Que se sente vão e perdido
Nem ouso fazer ruído
Privo-me à melancolia.

Sua beleza é alegria;
Há espinhos com sentido,
Mas não lhes faço alarido
P'ra não perder energia.

Ando às voltas nas marés
Enfrento alguns revés
Na espreita de nova luz.

Das rosas sorrisos vêm,
São eles que fazem bem
Na cor que noss´alma seduz.

Rosa Silva ("Azoriana")
in Pétalas da Serretense

 

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Introdução ou Índice
















Ao poema «Açores» de Vitor Sintra

Que poema encantador
Sobre as ilhas... Quanto amor!
Que beleza de moldura
Mui formosa e com frescura.

Pérolas do descobridor,
A natureza em flor,
A paisagem que é mais pura,
Até hoje nossa ventura.

Há brilhantismo no verso,
Por este nosso universo,
Rodeado de mar anil.

As hortênsias então
Cartaz de apresentação:
Nos valados mais de mil.

Rosa Silva ("Azoriana")
in Pétalas da Serretense

 

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Dedicatória:
«Crónicas... no feminino»

Nem sempre o vento em mim se levanta
E abana versos de inspiração;
Mas a crónica também nos encanta
Se aventada com tal dedicação.

Senti que o vento tem toda a razão...
É que ele bem a tempo se agiganta
Na ponte que me prende atenção:
Meu olhar, num instante, nela canta!

«Crónicas... no feminino», é fonte
Repleta de palavras alvas e mansas,
Voltadas p'ro Porto e p'ra sua ponte

De infância: Viagem de lembranças,
P'lo rio, que à crónica dá mais prazer.
Quem me dera vê-lo num amanhecer!

Rosa Silva ("Azoriana")
in Pétalas da Serretense

 

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73

Introdução ou Índice
















As rochas

Parecem corpos longos abraçados,
Erguidos das águas temperadas,
Quantas vezes de espuma salpicadas?!
Só os rostos não vejo desenhados.

Corpos à beira-mar enfileirados,
Imersos nas correntes mui salgadas,
Sentindo as vagas brancas sublimadas,
De beijos que são sempre renovados.

Se fecho os olhos, perco-me no som,
Sinto-me rocha que segrega o tom,
Que, muitas vezes, faz canção de mar...

De outras, faz lágrimas derramar.
De repente, os corpos harmoniosos,
Parecem corpos longos tenebrosos!

Rosa Silva ("Azoriana")
in Pétalas da Serretense

 

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72

Introdução ou Índice















«Em algum lugar do passado»...
(o mote)

A saudade quando se manifesta
Neste caminho de insularidade
Só essa palavra ainda me resta
Ao recordar amor junto amizade.

Acolhe-se na estrofe, entra na festa
No verso dá um toque de verdade
Em cada ilha ninguém sequer contesta
Que é a Bailar que se canta "Saudade"!

Faz parte dum rico repertório
Nos trinados da viola que chora
Solta-se amor que no coração mora

Deixa marcas em cada território
Há quem tenha um amor assim guardado
Somente em algum lugar do passado.

Rosa Silva ("Azoriana")
in Pétalas da Serretense

 

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Introdução ou Índice
















Essência do soneto

O «sonetário» será doce prazer
Feito serenata de arte a crescer.
Sonham-se cantigas bem alinhadas
Reino de palavras emparelhadas.

E cá por mim, só tenho a agradecer
Ao ser que o soneto ousa bendizer
E se em cinco rimas bem talhadas
Fluírem encantos das orvalhadas

No declínio da quadra começa
O momento que a magia tropeça
Nesta ovação cantada hoje em terceto.

Mas p'ra mim a essência do soneto
É deixar Érato, com inspiração,
Beijar os contornos do coração!

Rosa Silva ("Azoriana")
in Pétalas da Serretense

 

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70

 















Moldura de beleza

As rosas terão sempre tal beleza
Ornamentam alegria e tristeza
É assim onde quer que as encontremos
Uma dádiva de amor que colhemos.

Rosas antevi de mão portuguesa
Por fios sem espinhos, concerteza,
Às pétalas que um sorriso demos
Alegram o dia que as recebemos.

Linda cor que sobressai na moldura
Quando lhe tocas floresce doçura
Num escarlate que ninguém dispensa.

Rubras rosas têm toda a diferença
Perfumam-nos versos, sonho e paixão
Nasce um jardim em nosso coração.

Rosa Silva ("Azoriana")
in Pétalas da Serretense

 

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Amor e Dor

Eu vi na minha mãe assim um sofrer,
Na dor que amanhece e prossegue avante.
(De esclerose múltipla até morrer,
Mas do amor de Deus nunca foi distante).

Foi uma dor que não via escurecer,
Na cadeira que a fazia caminhante,
Escutava a chegada do bem-querer,
Na luta pela vida ir p'ra diante.

Deixou-nos um legado extremoso:
Entre mar e terra Deus é união;
Amor e dor chama-nos à oração.

Se um dia, o céu luzir, for mais formoso
E as nuvens revelarem a estrela,
Assim, sem dor, que bom seria vê-la!

Rosa Silva ("Azoriana")
in Serreta na intimidade
                                         (e Pétalas da Serretense)

 

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68

Introdução ou Índice
















Densa solidão

É loucura esta densa solidão
Que me dilacera a raiz do sono
No leito amargo que me abandono
Aos gritos vazios de multidão.

Teço alvas palavras de gratidão
Ao Sol que me guia e faço meu dono
Que aquece a alma solta cujo trono
Permanece só nesta imensidão.

A beleza afaga também o luar
Prende-se à noite em cantos e rimas
Brilham estrelas no corpo que estimas.

Há um sonho de luz a flutuar
Neste ser desfeito em mil pedaços
Suspirando na nudez dos teus abraços.

Rosa Silva ("Azoriana")
in Pétalas da Serretense

 

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67

Introdução ou Índice
















Sanjoaninas 2006

Angra vestida de branco
Espera-te com alegria
De gipsófila é seu manto
Que da noite fará dia.

E no céu azul e branco
Paira a doce harmonia
E neste verde o encanto
Da cidade com magia.

Já sinto no coração
O palpitar desta festa
Que honra o São João.

As ruas renovam traços
A vida se manifesta
Colorida p'los abraços.

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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66

Introdução ou Índice
















Rimas de vento!

Pinta-me longos versos primorosos
Decora-me de linhas como quem chama
O amor que em desejo se derrama
Nas curvas com uns veios amorosos...

Poiso as mãos nos meus olhos, que saudosos,
Vertem rimas por alguém que muito ama
E que em prantos me deixou a alva cama
Por entre mil suspiros carinhosos.

Palavras de amor quantas recitaste
Junto ao meu peito quantas já cantaste?!
Sonho contigo por cada momento...

Nas horas que teu nome é tão presente
Sinto um frio por te sentir ausente
Absorvo beijos teus... Rimas de vento!

Rosa Silva ("Azoriana")
in Pétalas da Serretense

 

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65

Introdução ou Índice
















Vila da Povoação
São Miguel - Açores

Uma força renhida entre terra e ar
Marcada pelo mote doutra descolagem
P'ra mais uma prestimosa afã viagem
Que sobrevoa a eternidade do mar.

Nada me impediu de dentro versejar
Ninguém ao meu lado captou esta mensagem
Lá fora uma tela d azuis na miragem
Na imensidão onde comecei o bom sonhar.

O pássaro gigante deixou-me nesta ilha
Segui o trilho onde os olhares se levantam
P'ro encontro d'águas que a terra fervilha!

Sonho e vontade de ver a Povoação
Das sete Lombas onde mil águas cantam
Fazendo que a rima salte do coração.

Rosa Silva ("Azoriana")
in
Um olhar Terceirense

 

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MMVI-V-XII (Aniversário da Filha)

Na véspera d'Aparição de Maria,
Nascia então a minha filha querida
E para animar este belo dia
Canta-se, aqui, mais um ano de vida!

E nesta quadra que a sorrir te fazia,
Sonhei para ti quanta prenda sortida
O sonho se cumpre com tua alegria
Nas voltas duma página preferida...

A flor de Maio, pétala d esperança,
Olhos de mar, cabelos beijando o vento,
Voa de ti leve o tempo de criança.

Brilha nestas linhas muita emoção.
Parabéns todos p'ra ti neste momento!
És «única»... Filha do meu coração!

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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Introdução ou Índice

















Deus seja Louvado!

Catorze estações d'Uma Santa Morte,
Nos ombros a pesada e fria cruz,
Cai por terra, sem forças, Cristo Jesus,
Sua Mãe, chora... Mas que dor tão forte!

Cireneu na cruz, dá-lhe bom suporte;
Verónica enxuga-O e Rosto transluz
Novamente cai com peso da cruz;
Choram mulheres... Senhor vos conforte!

No Calvário cai p'la terça vez,
Despojado de vestes, com aridez
Cravos Lhe pregam... Em brados sofridos,

Sucumbe na dor... O nosso Salvador...
E dos braços da Mãe, jazigo d'Amor,
«Vive» em sepulcro três dias seguidos!

Rosa Silva ("Azoriana")
in Serreta na intimidade
                                         (e Pétalas da Serretense)

 

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Papa João Paulo II - 2 Abril 2006
- um ano após sua partida

Quero fazer um soneto
Ao Pai mais terno do Mundo,
Foi João Paulo II,
Um Homem cheio de afecto.

Que foi deveras correcto
Espalhou um Amor profundo;
Visitou os países do Mundo.
Nos Açores, vi em directo.

Faz um ano que partiu,
Deus O recebeu à sua beira
E eu o Louvo na Terceira.

Que hoje seja proclamado,
Para sempre bem lembrado:
João Paulo já a Deus viu!

Rosa Silva ("Azoriana")
in
Um olhar Terceirense

 

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Praia da Vitória - 1 de Abril 2006

Nas ruas vagueei sem qualquer pressa,
A cidade saudou-me na chegada;
Vi tudo ou quase; Só de ti... vi nada.
O Sol acarinhou-me qual condessa!

A Praia que d'areia faz promessa
E com sorrisos de ondas abraçada
Assim ficarás por mim recordada
No dia que passei nessa travessa.

Fui ver o casario a estibordo;
Esse cheiro a mar, que de ti recordo,
Sonhei-o, de novo, no que percorri.

Na volta trago saudade por rimar
N'areia escondi a sina de amar
E nesta Vitória sei quanto sorri!

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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Introdução ou Índice

















Matilde
(amiguinha de 5 meses - 1/04/2006)

És a menina de olhar gracioso
Uma flor em botão que nos sorri,
Nesse tom, um perfil tão amoroso,
Matilde, a amiga que bem se ri.

Um dia hás-de erguer teu cantar
A quem p'ra ti já muito bem cantou,
Sei que a teus pais vais então encantar
E a quem por ti também se encantou.

Menina, olha que estás tão bonita
Nessa cor janota da tua fita,
A festa hoje é feita à janela.

Matilde, um sonho risonho e feliz,
Este mimo foi eu que assim quis:
Amizade assim fica mais bela!

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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Dedicatória à Chica
(escritora e poetisa terceirense)

Se procuras uma viv´alma amiga
Nos poemas que d´estrelas vais tecendo,
Dou-te versos, rosas qu´estou devendo,
Inda perplexa nem sei o que te diga.

Das tuas mãos... beleza sem fadiga!
Encanta-se o olhar no que vou lendo,
Canto um afinidade em crescendo,
Abraço a solidão e nasce a cantiga.

As emoções transbordam dos teus retalhos,
Todo o carinho que repartes p´los filhos
E netos são as flores dos teus trabalhos.

Na densa noite e fina madrugada
Brota da tua alma, sem empecilhos,
O mais que tudo... na fé e poesia amada!

Rosa Silva ("Azoriana")
in
Um olhar Terceirense

 

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Sempre atenta à:
A janela p'ro mundo!

Ao [PC] eu não digo adeus
Porque me fez sair à rua;
Partilhei os sonhos meus
O sol viu-me e vi a lua.

Um encontro de sucesso
Com mais de vinte rostos;
Aqui vos deixo expresso
Qu´advieram muitos gostos.

Se um dia me sentir triste
Sozinha neste meu quarto:
O [PC] de mim não desiste!

Se o silêncio é profundo,
Que o ânimo seja farto:
Ligo a janela p´ro mundo!

Rosa Silva ("Azoriana")
in Pétalas da Serretense

 

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Divino Espírito Santo
O tema das Sanjoaninas 2006

As festas Sanjoaninas
Em Junho na ilha Terceira,
De promessas tão Divinas,
Frente à Coroa e à Bandeira!

Os ´meninos´ e as ´meninas´
No Império em fileira,
São peças belas e finas,
Alvas... doces de primeira!

´Alfenim´ do povo crente,
Que dá Glória ao Divino:
- Quanta fé neste destino!

A Angra vem sorridente,
Com a Luz deste encanto:
- Pai, Filho e Espír´to Santo!

Rosa Silva ("Azoriana")
in O Blogue da Azoriana

 

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Introdução ou Índice
















Natalícia: Esperança

Senti que o brilho da estrela fugiu
e deixou-me um rasto de tristeza
será que fui só eu que isso sentiu
ou não posso afirmar sem certeza?

Não me digas que a alegria sumiu,
ao teu redor também há incerteza?!
Vejo tanta gente que tanto adquiriu
e agora vê-se sem nada na mesa.

Será que este trecho é mesmo real
ou sou só eu que vejo a coisa mal?!
- Há-de vir de novo mais euforia...

Não tarda a haver mais uma passagem
vamos embarcar na nova viagem:
Que o Novo Ano nos traga alegria.

Rosa Silva ("Azoriana")
in Pétalas da Serretense

 

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Introdução ou Índice

















Ao «Semeador de Poesia»
Francisco Monteiro
- Nas boas recordações.

De ti, um dia, há-de alguém lembrar
não faltará um mote p'ra lhe cantar;
Toda a rima e labuta no seu verso
concerteza não vai ficar submerso.

Eu também gostava de alguém plantar
as pequenas sementes deste voar
que atravessa, num traço, o universo
enfim nada ficará vão e disperso.

E se um dia, de ti, alguém escrever
que seja em moldura, qual quarteto,
no segundo terceto luz o soneto.

Soneto só é belo, com ventura,
se no rascunho já crescer em ternura:
Não vai morrer quem nesse Amor viver!

Rosa Silva ("Azoriana")
in Pétalas da Serretense

 

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A propósito do Soneto 3403,
de Raymundo Salles Brasil
- Justa homenagem

Ao ler linda prece por si clamada,
não posso deixar de lhe enviar,
desta Ilha onde tem minha morada,
um abraço com cheirinho de mar.

Tão longe, aqui fico ancorada
nestes versos que vos estou a postar,
junto mais outra prece, animada,
se alguém quiser p’ra aqui olhar:

Que haja nas Nações novas esperanças,
bom futuro para todas as crianças
é este o meu desejo mais profundo!

E para os Homens de boa vontade
muita tolerância, amizade
e que o Amor ganhe peso no Mundo!

Rosa Silva ("Azoriana")
in Pétalas da Serretense

 

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Cartões de Natal (acróstico)

Caros Poetas que aqui depositais
Alegrias e sentires pessoais,
Raramente ireis ficar sem presente;
Todos merecem cartão eloquente.

Os nossos ouçam palavras reais
E nesta Quadra cremos ser iguais;
Sei que o Menino ama toda a gente
Doravante a Estrela é mais luzente.

E a vós e vossas famílias queridas
Neste postal coloco mais relevo:
Aceitai meus votos de Feliz Natal!

Tamanho é meu desejo e enlevo.
Antes que o galo cante tom divinal,
Louvai o Menino com linhas sentidas!

Rosa Silva ("Azoriana")
in Pétalas da Serretense

 

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Natal dos pequeninos

Quando eu era pequenina,
A inocência comandava,
Dormia pela tardinha,
A carta nunca mandava.

Antes da Missa do Galo,
À chaminé meu sapato,
Era p'ra mim um regalo,
Quando voltava do " Acto".

Prendas com graciosidade
Simples, em risonho agrado,
Tão natural nessa idade,

Hoje, sinto uma saudade!
Dum momento, bom passado,
Essa a mais pura verdade.

Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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XV - Síntese - Ó Terceira!

Bravo berço donde vens, Ó Terceira!
Bordada de lilás, de amor ardente;
teu corpo pitoresco que bem sente
o pé de sal subindo a escaleira.

Teu verão passas na zona costeira
abrem-se guarda-sóis divinamente
esfregas teu olhar avistas contente
o sol que cobre a espreguiçadeira.

Silveira e Prainha do nosso lado,
trampolins da terra e mar sem transtorno
presenteiam teu corpo de dourado.

Há quem prefira calma moradia.
Deixa o azul e veste o verde, doce adorno
tecido na pacata freguesia.

Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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XIV - Ó que saudade!

Deixa o azul e veste o verde, doce adorno
na descida da serra até à encosta
e no vale chaminé de "mão-posta"
deixa escapar bom cheiro do seu forno

que leva o olhar a seguir seu contorno.
No lar a alva toalha deixa exposta
a côdea que tanta gente gosta...
Ao passado eu volto (bom retorno)

ao tempo da minha tenra idade
de um trago recebia massa e pão
das mãos da minha mãe... Ó que saudade!

Guardo no paladar doutra alegria
no calor do amor, do bom serão
tecido na pacata freguesia.

Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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XIII - Preferências

Há quem prefira calma moradia
e p'ro amor construa novo tecto
debruado com ternura e afecto
combinando alguma fantasia.

Há quem prefira ter por mais um dia
ramo de rosas no tom predilecto
enlaçado por um beijo secreto
numa surpresa que canta alegria.

Há quem prefira, enfim, outra prenda
e que no céu uma parte conquista
mas para isso tem de haver emenda.

Ai, se o amor quisesse meu retorno
qual pincel que voa quando o artista
deixa o azul e veste o verde, doce adorno.

Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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XII - Monte Brasil

Presenteiam teu corpo de dourado
o sol e as estrelas com versos de luz
nesse caminho que mais me seduz
vejo o mar p'la areia encantado.

No horizonte encontro talhado
entre céu e mar nossa Ilha de Jesus
no cimo do Monte ergueu-se a Cruz
marco histórico ali plantado.

Avista na frente a nobre cidade
e no seu ventre tingido de verde
encerra cratera de muita idade.

E se há amor assim em demasia;
e se é num vulcão que tudo se perde
há quem prefira calma moradia.

Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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XI - Continhas de luz
- Nossa Senhora dos Milagres

Trampolins da terra e mar sem transtorno
e o mundo será visto doutra forma,
nem seria preciso tanta norma
(ódio seria menos que morno).

Ao amor demos lugar e vamos pôr no
coração leis que não tenham reforma
porque o Livro de Deus bem nos informa:
Para segui-Lo não há desadorno...

Nesta ilha, bem pertinho da serra,
temos Imagem da Virgem Senhora
nosso amparo que brilha na terra

e do seu rosário iluminado
continhas de luz a toda e qualquer hora
presenteiam teu corpo de dourado.

Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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X - O Sonho (2)

Silveira e Prainha do nosso lado
Negrito e Porto das Cinco além,
fazem as delícias de quem tem
no mar espelho de corpo moldado

nas voltas que dá ao banho salgado.
Esta paixão sei que a todos convém
mas p'ra mim não, fico muito aquém
porque em terra é que ando e não nado.

Há um sonho que se agita em mim
uma onda que vai e vem devagar
ser sereia neste mar só por fim.

E quantas vezes já senti uma dor no
momento que já não posso saltar
trampolins da terra e mar sem transtorno.

Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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IX - Junho em festa

O sol que cobre a espreguiçadeira,
convida a lua p'ra bailar na Praça
e a noite ganha logo tanta graça
quando chega tão boa companheira.

Em Junho a festa toma a dianteira
junta-te a nós não percas a folia
no tempo que a noite parece dia
convida a estear nossa bandeira.

Então a noite se veste de olhares
vendo que na noite o dia acontece
e que a vida tem brilho nalguns lares.

Na noite vês Castelo ancorado
ao Monte Brasil que de lá enaltece
Silveira e Prainha do nosso lado.

Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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VIII - O Sonho (1)

Esfregas teu olhar avistas contente
montinhos de lava, digo Açores!
Sonho conhecer o Corvo e junto Flores
(é preferível em época quente).

Porque estas ilhas se olham de frente
guarnecidas das mais bonitas cores
talvez oásis de muitos amores
nesses campos do grupo a ocidente.

Santa Maria, estrela formosa
nome de Mãe, (outra que não fui ver):
primeira ilha, um botão de rosa.

Por encanto fico cá pela Terceira
junto da areia não quero perder
o sol que cobre a espreguiçadeira.

Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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VII - Olé! Toiro

Abrem-se guarda-sóis divinamente
o Capinha enfrenta a raça pura
passo dado face à cabeça dura
dum toiro nessa arte repetente.

É bom vê-lo na corrida corrente
os "Olé!" qu'alegram lilás bravura;
lindas armas, de negra formosura
no símbolo regional imponente.

Na Salga, palco de lutas renhidas,
estes animais fizeram tal furor
deixaram estreitas quaisquer saídas.

Hoje, esse perigo é ausente
e ao longe quando passa vapor
esfregas teu olhar avistas contente.


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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VI - Angra de encanto e Heroísmo!

Teu verão passas na zona costeira
e no mar fitas a onda que satisfaz
sei que depois sentir-te-ás capaz
d'enfrentar uma tarde Domingueira.

Creio ser uma tese verdadeira
o prazer que o mar em versos nos traz,
nossa baía com festa e cartaz
do Santo que faz saltar na fogueira.

Angra foi e será sempre um encanto
canta na marcha, reza à procissão
e no mar também já se viu pranto.

Marina já cativou tanta gente
à beira-mar solta ao sol d'emoção
abrem-se guarda-sóis divinamente


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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V - Convite (o mar é que nos tempera)

O pé de sal subindo a escaleira
leve, fresco, sem pressas concerteza
mostrando tanto encanto e beleza
da juventude em tez prazenteira.

E se quiseres vir p'ra nossa beira
motivos encontrarás de certeza:
alcatras, arroz-doce, pão na mesa
fazem as honras à boa cozinheira.

Os guisados, cozidos e bons grelhados
não faltarão. Terás de ter proventos,
já lá vai o tempo das graças (fiados).

Mas se esta não foi a melhor maneira
traz tua tenda em sãos movimentos:
Teu verão passas na zona costeira.


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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IV - Linda Ilha Terceira!

Teu corpo pitoresco que bem sente
a brisa que corre por entre os dedos
baloiça a música dos arvoredos
da terra que no mapa vem assente.

Linda Terceira! Há quem por ti cante;
sai e vai dar a volta à ilha sem medos
nos Bailinhos lavram nossos enredos
bem lembrados do povo emigrante.

Há outras modas também com valores
nas vozes que p o desafio nasceram
dos nossos conhecidos cantadores

que sabem ilustrar esta Terceira
e perto do mar cantaram e viram
o pé de sal subindo a escaleira.


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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III - Corpo pitoresco

Bordada de lilás, de amor ardente,
a manta de retalhos (sonhos reais)
nas varandas luzem flores demais
o amor nascido dum olhar somente.

Em penas me sinto. Sou diferente?!
Já não avisto chilreio dos pardais;
O cheiro dos jardins, doutros quintais,
insiste em bailar nesta minha mente.

Perco-me em sonhos por entre mares
na lua deposito meus desejos
que ficam espalhados pelos ares.

Voltam ao coração independente
na lembrança de mansos e ternos beijos
- teu corpo pitoresco que bem sente.

Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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II - Bordada de lilás

Bravo berço donde vens, Ó Terceira!
faz-se fé nas festas. Há mais touradas;
estas gentes querem-se animadas.
(Ao tremoço se dançou à volta da eira.)

Na ilha que foi sempre tão festeira
hortênsias cativam seus pedaços
na lava fria nascem rosas e laços
e se há dor que seja passageira.

Sofremos e rimos quase num só dia...
É verdade! Acreditem que nós
cremos que Deus nos dá nova alegria.

E Maria, Mãe de Jesus, é presente.
A devoção activa nossa voz,
bordada de lilás, de amor ardente.


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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I - Bravo berço

Depois dos meus quarenta há descoberta
em réstias brancas só improviso
não sei de quanto mais será preciso
para cantar e ver minh'alma liberta

da saudade que no coração aperta
nesta ilha mora a cor de algum riso
que dizem semelhante ao paraíso
(bem me lembro de deixar porta aberta).

Recordo datas "made in" chafarizes
marcas de mãos que fazem história
de profissionais e outros aprendizes.

Colossais monumentos de primeira
Castelos, Igrejas, Praças, Memória:
Bravo berço donde vens, Ó Terceira!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Quando há Natal...

Um pinheirinho já virá p´ra sala
musguinhos d'esperança a enfeitar
o Menino sorri sem tiritar,
sem berço, veste um calor que embala

um calor do Amor que Ele nos fala.
Por vezes nem O sabemos imitar,
na ganância de tanto comprar;
Oh! Quantas vezes o Amor se cala?!

Natal repete santo nascimento
as estrelas dançam nesse momento
incendeiam a paz nos corações.

Quatro semanas p'ro solene dia:
Advento prepara-se com alegria
com pinheirinho das recordações!

Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Autodidacta com sorriso

Vão ler segredo profundo:
Levei p'la mão um soneto
e tenho-lhe tanto afecto
não o deixo por um segundo.

Quando cheguei neste mundo
pensei: Será que é correcto?!
Nas letras do alfabeto
o verso não viu fundo.

Mas quantas serão as emendas?!
(não me mandaram embora!)
Se estou no livro [de prendas]:

«Autodidacta» sem medo,
há palavra feita na hora...
- Esta paixão não é segredo!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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...

Ao primo olhar não se pode saber,
sob o mesmo lençol, o ponto de parada
e de partida. Sem hora marcada,
amor é sonho na música do prazer.

Recomeçar palavras p'ra esquecer
a solidão: rima desamparada.
Amor sem vida é vida anulada.
Importante é revestir meu escrever!

Sobre nós: canto o ciúme, tal barreira;
Vazio, lágrimas sós à derradeira
corrida do segundo que nos mói...

À espera do terno eterno... Quem?!
Recomeçar?! Difícil ver aquém...
Falar d amor?! Um sonho que só... Dói!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Desenho do Soneto

Chave de prata fez-se p'ro soneto.
O sentir brota daqui para baixo,
talvez na melodia o contrabaixo
e no sorriso baila o amuleto.

Às voltas ando pelo alfabeto,
procuro letras, sem susto encaixo
num desenho composto altibaixo,
depois das quadras vem primo terceto.

Oito versos formam o ponto vistoso.
Não se pode deixar a folha caída;
A rima é «amor» que chama à acção.

Aqui reside o ponto grandioso,
sentes o impulso da força da vida:
Na chave d'ouro reina o coração!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Vozes em sonho

Em transparência a noite toquei,
(incandescente é mais que luminosa)
soube tão bem a surpresa saudosa
na noite tudo em mim despojei.

Ouvi o corpo remando e suspirei
por mim deslizam odores de rosa
e na fresta da pele tão sedosa
a fruta mais doce teci. Voei!

Cobri-me de veludo crepitante
de cor volátil em dorso delirante
numa força que se infiltra... boa!

O brilho no meu olhar flutuou,
na frase escaldante que me queimou...
(Não se deve sonhar, assim, à toa)


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Reflexão...

Fez-me bem ler, Gandhi, em reflexão.
Segui o segredo, que não foi em vão,
e apaziguei algumas agonias
motivadas pelo rumo dos dias.

Que presente contém meu coração?!
Há incerteza na minha razão;
O mundo crivado de ventanias,
catástrofes, perdas, mais avarias.

Não deixam saída os temporais,
as vidas são fustigadas em ais.
Em quantas bocas por certo o jejum?

Que faço com este pensar dolente
se não posso gritar a tanta gente
um abraço com tudo e medo nenhum!

Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Prisioneira de emoções!

Se quiseres chamar-me de poeta:
Não vou selar-te isso, não sou louca!
O Cupido não vai recolher seta
e minha voz jamais quer-se vã e rouca!

Já vistes como é bom fazer colecta
de pensamentos nunca sentir-me oca.
Gosto de correr letra tal qual atleta
esta mente não se quer sentir mouca.

Sinto-me prisioneira de emoções
Nestas ilhas quantas são as erupções?!
Minha pluma beija tantos escritos.

Podem acreditar que há dias fartos
Palavras nascem na hora dos bons partos
Poeta: a delícia desses gritos!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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O Tacho que inspira...

O bolo mostrava-se tão gostoso,
no tacho marisco marcava passo,
na mesa o apetite com espaço.
Que Grupo de amigos assaz vistoso!

Mas que jantar feliz, apetitoso
no sorriso então já bem devasso
a culpa é do vinho: Amigalhaço!
O champanhe fez cantar amistoso.

A cantoria não se fez rogada
e a moda já estava engraçada...
A letra qual seria?! Parabéns?!

Pela amostra de um riso maroto,
Sinal que tudo foi mui bem no goto!
«Grupo Tacho» - Salvé! Um ano tens!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Horas íntimas

Não vou desenhar horas de ferrugem,
mesmo que elas me assustem em sonho
ninguém as lerá - o submerso é medonho!
Deixam marcas na última viagem...

Só o corpo se fixa nesta bagagem,
neste pensar invulgar, suponho
ser tema p'ros viventes. Enfadonho?!
Ninguém fica alheio à embalagem.

Entenda-se o fim lúgubre morada,
que na terra por homens desenhada,
é o deserto feito por medida.

Que bom será um sopro sem aviso:
Se formos de encontro ao paraíso!...
Encontro d'Amor com o Deus da Vida!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Para um filho que parte...

A estrada cedeu à tua vontade
e irás dar largas a ti, seguir o estudo.
O meu pensar não pode ficar mudo,
já sinto uma grande dor... É verdade!

Sim! É certo que agora tens idade;
Não quero teu futuro vão e sisudo
Mãe para o filho quer o melhor de tudo.
Um dia saberás quanta saudade!

Sei que vou ficar... mas vou num abraço...
Fui quem calou teu choro no regaço
nesta terra que te viu primeiro!

Um filho é um tesouro para a Mãe,
porque é ela que lhe quer tanto bem.
Amor de Mãe... O mais lindo e pioneiro!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Desejo

Vem cá... senta-te aqui ao meu lado
(Estou a esquecer-me de ser feliz
E foi isso que sempre, cá dentro, quis)
Quero ver o céu num tom estrelado!

Quero sonhar de novo um bailado
(Achas que importa o que eu fui ou fiz,
se não posso ceifar o mal p'la raiz?!)
Vem comigo num cavalo alado!

Onde será que termina a estrada?
Qual o sentido p'ra nós permitido?
Quero ficar por ti... enamorada!

No meu peito levo uma açucena
«Amor» (Será que já está perdido?!)
- Quanto desejo vive nesta pena!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Convite especial

Preparem-se, p'rà Festa falta pouco,
Mãe dos Milagres, nossa Padroeira,
espera por vós: Ela é Milagreira,
da Ilha Terceira e do mundo devoto!

Tragam no rosto afecto, um voto
de amor por Ela: a Mãe sempre Primeira!
Venham por caminhos e mares, à beira,
Agradecer Bem e que o mal enfim seja oco!

Venham sim! Com todo o respeito e amor
Afinal somos tão irmãos no Senhor,
E nada melhor p'ràs vozes se unirem!

Venham sim! Não façam cerimónia,
Serreta é sítio com história!
Sempre, junto ao altar, é hora de orarem!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Serreta na intimidade (e Onda de Sonetos)

 

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Serei alguém?!

Perguntas se alguém sou da poesia?!
Eu respondo que amo tais escritos.
Se são poemas?! Se foram bem ditos?!
Na altura em que já foge o dia!

A noite é minha musa e companhia,
nela me conforto e fogem-me os gritos,
e não há forma de deixar tais escritos;
Ganharam gosto e salvo a euforia!

Adoro engendrar versos à sorte
mesmo que em casos eu nem seja forte,
auguro um sorriso a bem dizer...

Origem deste vigésimo quinto
fica gravado o agrado que sinto:
Nesta onda que bom é... Escrever!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Incentivo

A emoção brilhou no meu olhar
quando o pousei no mundo da poesia
meu sorriso por lá fui encontrar...
Novo nome sonhei num certo dia:

«Azoriana» tom de ilha e mar
hortênsia, roseira, fantasia
pétala d'amor rosa de sonhar
com o som da mais doce melodia.

Mas que promessa tem este meu ser,
que no quarto isola o amanhecer?!
Fico cativa no sonho que tive!

Neste mundo de tantas estrelinhas
"Sonetos" tem paixão por tais letrinhas:
É bom ter alguém que nos incentive!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Boa solidão

No meio do mar a olhar o céu,
nem o Sol ainda se havia posto,
a calma brisa beijava-me o rosto:
- É tão bom viver neste lugar meu!

Avisto à frente "Canta-Galo" ao léu:
um montão de terra p'r'ali exposto.
Vi no dia nove do mês d'Agosto,
o veleiro que chega... mas não é teu!

Na boa solidão, estranhas vozes;
alegres acenos de mãos velozes
p'ro marinheiro que ancora a saudade!

Ai! Saudade, essa dor que m'inflama!
O coração tem saudade quando ama.
Eu na Marina abracei a cidade!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Traços

A vida é feita de tantos pedaços.
Cada pedaço tem uma história:
Amores, ódios em memória,
Que registamos nestes poucos traços.

Ás vezes serão momentos compassos
Expõe-se tal lágrima inglória
Que nem nos dá qualquer vitória.
Os lamentos querem-se ver escassos!

Meu gosto está mesmo na escrita
Doce, colorido novo p’ra vida
É na escrita que me sinto bonita!

Virá tempo que a razão fugirá.
E mesmo qu’ eu não seja destemida,
No futuro alguém recordará.


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Um livro é um sonho!

Mãe! Vou ter de te dar outro adeus...
Eu sei que há outra luz que alumia,
Sinto que tive dom por companhia;
Será que doravante vai p'ros Céus?!

A dor corre no peito... Sonhos, meus,
deixo sem livro. Que vontade via!
Não consigo o sorriso por um dia
mas basta-me pensar (se viste Deus?!).

No céu há-de brilhar forte a estrela
com teu nome, bordado de matiz:
«MATILDE» - inspiração que bem quis!

Mãe! A tua imagem fez-se bela.
Perdoa-me se fiz algo errado;
Só te peço: Meu sonho... Ilustrado!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Versos de Mãe

Há dias em que versos salvam vidas!
Feitos de insónias gloriosas
talhados pelas noites amorosas...
horas que não deixarei esquecidas.

Mãe! Deste-me palavras destemidas
nem as musas estavam ociosas
nos sonhos fizeram-se milagrosas
revelaram-te linhas tão queridas:

Eis:"Oh! mar azul que tanto encerras,
os peixes teus nadadores, são o perfume
da mesa, de todos os pescadores."

Um poema nascido nestas terras
único e sei que não virou costume
mas versos de Mãe são sempre os melhores!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Serreta na intimidade (e Onda de Sonetos)

 

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Amizade

Amigo abre o sorriso sem vaidade
Sente o coração manso de ternura
Liberta o sofrimento e a amargura
Amizade é símbolo de verdade!

Eu louvo a amizade sem idade
Ninguém pode chamar isto de loucura
Ter amigos essa virtude segura:
Veste-se de solidariedade.

Os amigos são como um jardim de flores
Elevam seu perfume p'ra natureza;
Amizade aceita todas as cores.

Que bom manter a beleza desse encanto!
Há um brilho no olhar... Eu tenho certeza:
Há um bem querer quando se gosta tanto.

Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Soneto do Ocaso

O Sol deixou-se cair rente à Ilha,
Sua graça alindou-se Graciosa!
A noite adivinha-se formosa
De tão perto vi ocaso maravilha.

O céu, terra e mar linda estampilha
Junto a mim só sombra silenciosa
Mas, lá a roda forma-se luminosa
Para dizer adeus à Terceira - Ilha.

Dá-se então contagem decrescente
Foge cada vez mais do meu olhar
Só me resta um sonho no poente.

E da ramagem calma cá do monte
Vi-te dizer adeus tão devagar...
És amor qu'embeleza o horizonte!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Na crista da noite

A beleza maior então se apresta,
entre terra e céu solta-se o beijo,
o momento dos sonhos, do desejo,
um sinal de amor se manifesta!

O raio só luz na virgem aresta
Entontece-me e quase que não vejo
o sol alegrar-se com outro beijo
como se fosse o teu na minha testa.

Um sonho breve foi amor eterno
fica gravado num fogo tão lindo;
no teu olhar nem sinais de inverno...

Na crista da noite desfaz-se o dia
outra voltará, decerto sorrindo;
Ficar contigo... que claro seria!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Para ti, Bombeiro!

Num repente... Sirene... Alto grito!
Fogo ou coisa que vem agoniar.
O lema é correr, correr e salvar!
Até o coração bate aflito.

Rapidez, acção segue-se num rito.
Salvar vidas e bens não pode vagar
a estrada pára p'ros deixar passar;
Nesta viagem nada é interdito.

«Homens da Paz» vestem de prontidão,
nem o cansaço os faz arredar:
Este o sinal de que sabem amar.

Dignos de toda a nossa gratidão...
As chamas nunca quebram seu machado.
Soldado do fogo - Sempre louvado!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Que vida?!

Há sonetos a sorrir que eu já li,
Outros como este foi aberto choro...
A Deus neste meu versejar imploro:
- Vinde, Amigo! Preciso de ti.

As mãos levanto. Tanto que já vivi,
tanto que já chorei mas nem decoro,
passado no presente é inodoro.
Por meus filhos cheguei até aqui.

Mas... que fazer da nova geração?!
Os jovens agarram-se ao gargalo
do vício malvado e infernal.

Nada se pode dizer. Ouvem mal...
Cedo vão perder no jogo do galo.
- Deixem viver o vosso coração!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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A Tourada dos Estudantes

Trinta e cinco, bancada bestial,
Aplaudi Garraiada d´Estudantes
Folgazões em trajes hilariantes
Na praça a «bravura monumental»!

Coloridos, saúdam o pessoal;
Na arena sempre tão deslumbrantes
Nas ca(i)delas dos afoitos Estudantes
Marradas certeiras nem lhes faz mal!

Nunca vira Tourada neste enredo,
Mas todos os anos segui a tradição.
Fica um presente p´ros Azevedo.

Acreditem! São cenas divertidas.
Agora sou fã desta diversão.
Voto p´ras tradições serem mantidas!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Sanjoaninas 2005 (antevisão)
- assim foi...

É sempre p'lo solstício de Verão
Que na ilha se festeja o São João,
Em dois mil e cinco viradas p´ro mar,
Sanjoaninas, semana de encantar.

Com Título: "Angra, Baía de Encanto"
Lema que p´ra mim nem mostra espanto.
Marina será então o palco bom,
colorida, repleta de terno som!

Eu queria tanto este ano aplaudir
A Rainha tão linda no seu vestir,
Deslumbre da manifesta mocidade.

São estas Festas que tão bem nos animam
Os Terceirenses as enlevam e estimam.
Há beleza em Angra... que grande Cidade!

Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Nas tuas mãos... a vida

Decénio evento, justa homenagem,
Herói nas mãos, áureo conhecimento,
Humano no seu olhar de enternecimento,
Esquecida não será a eterna viagem.

Viriato Garrett, médico perfeito,
Dedicado, um estudante permanente,
Seus dedos salvaram tanto paciente,
Digno Louvor em reconhecido feito.

"Da mão a vida", memória registada,
Grandiosa era a sua habilidade,
E para sempre honra lhe seja dada.

Nunca será por demais aqui recordado,
Familiares, amigos, tanta saudade:
A imensidão de vida... amor partilhado.

Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Serreta

Em ti, nesse teu ventre tão contente,
sonhei. Sou filha dum amor, primeiro.
Do céu, nem esse denso nevoeiro
sequer impediu um olhar, de frente.

Ali, meu ser até esteve presente.
Sim! No terreno alto sobranceiro
serena ao mar o vulcão desordeiro
que tanto agoniou esta gente.

Gritou mas agora ficou calado;
Dorme nesse soninho sossegado
porque a ninguém quer incomodar...

Brilha! Minha linda terra natal
e que não te suceda algum mal.
Canto a Serreta... Tu foste o meu lar!

Rosa Silva ("Azoriana")
in Serreta na intimidade (e Onda de Sonetos)

 

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 10 de Junho
- Dia de Portugal, de Camões
e das Comunidades Portuguesas

Dez de Junho veste tom simbólico
Camoniano de alma corajosa
Amou a Pátria, língua ditosa
Salvou do mar manuscrito histórico.

Estudo do meu tempo académico
"Os Lusíadas" leitura majestosa
Noutro tempo não o li tão amistosa
Hoje enalteço seu trilho poético.

Posto na caravela do teu olhar
À epopeia deste um colorido
Oitavas na luz d'eterno brilhar.

Muitos olhares p'ra ti se voltaram
Dia de Portugal foi distinguido
Soldado, poeta por ti clamaram.


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Dos Açores... História de Fadas

Eram catorze fadas bonitinhas
gostavam de voar (soltam-se asinhas),
sempre de par pr´aqui e pr´acolá,
quatro p'ra cima mais quatro? Vêm já!

Fizeram uma festa de amiguinhas
Das rimas andaram sempre juntinhas.
Três rainhas, nenhuma quis ser má.
Mais três fadas no fim. Melhor?! Não há.

Varinha de condão, por terra e mar
E fadas assim não podem parar.
Sei que foram madrinhas! Vi-lhes amores

Alguns sabem quem são? São dos Açores!
De mãos dadas cantaram uma cantiga...
Dos seus versos tornei-me boa amiga.


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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No teu adro

A bonita, tranquila e Santa Mãe,
no seu Altar qual flor... o Filho no braço
apelo de amor brota do seu traço,
na Serreta sediou-se e muito bem.

Senhora dos Milagres - Oh! Virgem -
é no teu adro que a fé dá tanto passo.
Unem-se amores num convicto laço;
Eu fui lá, com certeza, mas porém...

... o dia mais feliz de rasa vida.
Mas... subir no adro?! Já não há mais jeito.
De véu, só mesmo eterna despedida.

Ai! Se eu pudesse pintar neste quadro
o amor que caminhava no meu peito
no dia que gostei mais... daquele adro!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Serreta na intimidade (e Onda de Sonetos)

 

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Cântico ao Divino

Falam de ti, Açores, enaltecidos
coroados de Irmandade bem quista,
pérolas de júbilo, tela d'artista
clamam por ti olhares agradecidos.

Cortejo de Fé, alvura dos vestidos
Preces ao Divino, melodia mista
Hino de ternura de gente bem vista
ilustra estas ilhas em tons sortidos.

Vinho, carne, pão, doce tal o desejo
disposto em cestos p'ra tua passagem
Não esqueças é bento, dá-lhes um Beijo!

Sorrisos banham pontos do atlântico
Abraços encontram-se numa viagem:
Espírito Santo! É Teu meu cântico!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Porquê soneto?
Porque sim, porque gosto...

Fui picada pelo bichinho raro
do gosto. Porque gosto de soneto
Se algum crime por certo cometo:
Perdão! Será que me vai custar caro?!

Risquei meu crivo com algum preparo,
Tentei seguir por caminho correcto
Não fosse atropelar este projecto.
Espreito vosso sinal de reparo.

Nos sonetos tanta dedicação;
Amor habita qualquer coração
Mais no site de Bernardo Trancoso.

"Amor é fogo que arde sem se ver"
Camões quanta luz soube descrever!
... Amor! Amor! Para sempre famoso!

Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Sorriso do Amor

No brilho de uma estrela, eu mando
um alerta, um beijo em forma de flor
espero que o recebas com tal amor
e que olhes o céu de vez em quando.

Os anjos decerto zelam por teu dia
Deixam um recado na nuvem de prata
A Lua me acenou de forma tão grata
Trás promessa que me enche d'alegria.

Apaga lágrimas do tempo passado
Não sonhes com futuro por descobrir
Faz com que agora fiques a meu lado.

O teu olhar pousará no meu a sorrir
Tudo será esquecido, perdoado
Para que o sonho se possa cumprir!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Crepúsculo

Gravo no verso certo apartamento
Em dor e pranto, tal fonte lacrimosa...
A mentira foi tua arte famosa;
Enjaulaste e apagaste o sentimento.

Do alto já não suportei nenhum vento,
No jardim nenhuma planta formosa.
Tão longe, deixei de ser extremosa,
Na terra brava plantei o esquecimento.

Do sonho já não espreito lembrança
Pena ter seguido por tal caminho.
- Liberdade?! Quero ter esperança.

Contigo a vida não dá, nem importa.
Quanta mágoa neste pergaminho?!
Fugi-me das trevas... Deixei-te a porta!


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Fizeste-me...

Mãe, fizeste-me corpo de rajada!
E a vida levaste ao novo baptistério.
Acompanhar-me?! Não, no cemitério!
Teu barro foi partida ora finada.

Orfã sou! Fiquei sem ti... quase nada!
Procura incessante do mistério
que encobre o riso, fica muito sério,
tenta aguentar-se nesta caminhada.

O sol nem sempre aguenta ser escasso;
A luz que brota dá-se em oração.
E faz com que amanheça então meu passo.

Mas eu tenho que ser forte e libertar!
A vontade clareia-me o coração;
E o meu compasso torna-se acertar.


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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Tocando o sonho

Nem sei se penso ou quero arrimar,
Se rimo faço-o, por mim, sem desdém
A contar mais do que rimo por bem,
Só se for mesmo cantando a rimar!

Em quantas linhas eu te quis chamar?!
Conotei as vezes que o sonho provém?
E tudo quanto admirei aqui e além
Rimei nas janelas voltadas a mar.

Melhor sorte terei se no retorno,
Com pétalas rosas fizer tal adorno
Mas não vejo quem gostava de ver!

Se neste voar eu perder a cabeça,
E malfadada quadra aconteça:
Só na rima plantarei novo viver...


Rosa Silva ("Azoriana")
in Onda de Sonetos

 

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